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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Salve! Salve!


Salve essa pátria salvejada,
Salve a semente que não foi plantada,
Salve o silêncio de noites caladas,
Salve o gorjear dos pássaros,

Salve as noites sombrias avelejadas,
Salve as crianças sonhadoras que dormem na calçada,
Salve o dia mais escuro que se põe na estrada,
Salve quem não pode ser salvado,
Salve as pessoas erradas.

Nara Ferreira
23 de Agosto de 2009

Mecânico


O homem jorra suas palavras,
Se não acalenta, não reanima a alma,
Canta palavras vazias que no íntimo se tornam amargas,
Refresca o organismo intacto,os pés molhados,
Canções de um esquecido enamorado

Se no encanto murmurado ao vento,
A ferida se expõe seu contentamento
Conversas não me secam as lágrimas refeitas
Nebulando o tempo dos meus versos ao relento.

Nara Ferreira
13 de Agosto de 2009

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Chegou a Hora!


Não volte mais pra mim,
Eu não presciso de você aqui,
Vá aonde quiser ir,
E me deixe chorar nesse momento ruim.

Siga seu caminho,
Não se importe mais comigo,
Seja feliz e grite,
Viva seus amores perdidos.

Vá embora,
Me deixe chamar sem resposta,
Não espere que eu lute por fim,
Pois na vida se perde e ganha é o fim...

Meu coração lamenta sua partida,
Minha alma deslacera sem saida,
Eu busco um refúgio, um abrigo,
E você com seus amigos apenas zomba de mim.

Não busques saber onde estou,
Não venha com promessas falsas de amor,
Eu não presciso de sua ajuda nem companhia,
Por mais que eu esteja completamente perdida.

Vê se não me sufoca,
Sai pra lá, você já ganhou sua aposta,
Namoros, transas, o que importa?
Se você já deixou o terror entrar pela porta.

Eu eu me pergunto, e agora?
Não restam alternativas, eu só vejo uma resposta,
No silêncio da noite que me sufoca...
A solução é uma nova paixão que me adora!

Nara Ferreira
05 de Agosto de 2009

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Você acha mesmo?


Você acha que está tudo certo?
Na verdade não compreende,
Enquanto meu sorriso murcha,
SUa voz me envolve loucamente.

VocÊ acha que eu vou te esquecer?
Nem mesmo com mil anos sem anoitecer,
Nem se as flores caissem,
E se nas manhãs de frio parasse de chover.

Você acha que eu estou perdida?
Mesmo sabendo que o labirinto não tem saida,
Eu me arrasto segura nas paredes,
Escalo, mesmo com as mãos feridas.

Você acha que eu não vou chorar?
Se até mesmo minha alma se põs a lamentar,
Meus olhos se tornam pesados,
Meu lenço não seca de pesar.

Você acha que eu viverei por muito tempo?
Então porque não olha pra onde estou neste momento,
E deixe sua lembrança vagar constatemente,
Flores brancas são postas sobre meu corpo em um caixão eternamente.


Nara Ferreira
30 de Julho de 2009

Também tem...


Aqui também tem poesia,
Nessa casa, sentada na cozinha,
Nesse momento de alegria.

Aqui também tem poesia,
Com lembranças sortidas,
Amores, amizades, encontros escondidos.

Aqui também tem poesia,
Na sala, no quarto, atrás da cortina,
Tem poesia na cama,
Nos momentos de extrema nostalgia.

Aqui também tem poesia,
Aqui também tem alegria,
Aqui também tem harmonia,
Aqui é um tesouro de inspirações perdidas.


Nara Ferreira
21 de Julho de 2009

Estranhas saudades...


Sinto saudade do nada,
E o nada insiste em me fazer lembrar,
Do desconhecido, de lugar nenhum, do silenciar.

Sinto saudades de um momento, um lugar
Que nunca chegou a existir,
Mas trazem lembranças de um lar.

Sinto saudades do vazio
Nas noites de frio,,
Repletas de cores, barulhos e rios,
Multidões de pesadelos que não me deixam repousar.

Sinto saudades da vida,
Que não é minha, nem é escolhida,
Mas de algum forma, me satisfaz, traz calmaria.


Nara Ferreira
21 de Julho de 2009

A dor do amor!


È a dor que não me deixa te esquecer,
Dor que não passa, surge do nada,
Permanece comigo.
De manhã ao anoitecer.

Dolorida, mordida, ferida,
Que me assombra em noites mal dormidas,
Deixa marcas, sentimentos errados,
Dor que remédio nenhum acalma.

Algum dia a dor passa,
A pele renova, não deixa cicatrizes na carne,
E o sentimento que da dor surgiu,
Só me faz pensar em você, nas manhãs de frio.

Nara Ferreira
21 de Julho de 2009

Aurora...


Aurora,
Me adora,
Não chora,

Aurora,
Chegou a hora,
Volta pra mim agora,

Aurora,
Permanece em silêncio infantil,
Me ignora.

Aurora,
Com suas misturas de cores brilhantes,
E seu perfume de orvalho contagiante,
Não demora.

Aurora,
Não me deixe só,
Enquanto a brisa namora.

Aurora,
Que outrohora apareceu no céu,
Me faz desejar beijos sabor de mel.

Aurora,
Não brigues comigo,
Eu me ajoelho aos seus pés e imploro.

AURORA!
VOLTA PRA PERTO DE MIM!
AURORA...

Nara Ferreira
21 de Julho de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A Vela e a Velha


A Vela da Velha,
A Velha da Vela,
A Velha Vela a Velha
A Vela Velha de Velar.

A Vela Velha,
A Velha Vela,
A Vela e a Velha velam,
A Velha e a Vela Velham.

A Vela Velando a Velha,
A Vela Velhando,
Sem mais Vela Velhar.

Nara Ferreira
01 de Julho de 2009

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Unificação das Almas


Eu, apenas Um,
Ele, um outro qualquer,
Sem nada em comum,
Mas unidos na mesma fé.

Dois individuos,
Distantes amigos,
Percorrendo o infinito unidos.

Almas se entrelaçam,
Unificando a carne,
Mente, coração repartido,
Provocando sentimentos inesquecíveis.

No fim se separam,
Sem despedida ou saudades,
Deixando um barco vazio,
Na beira do rio, ao amanhecer.


Nara Ferreira
24 de Junho de 2009

sábado, 20 de junho de 2009

Um pouco distante


Me sinto distante,
Meu corpo permanece intacto,
Mas minha mente vaga no espaço,
Minha respiração pulsa descontrolada.

Não me sinto viva, nem presente,
Enquanto a boca fala,
Os pés vagam sem destino,
O silêncio em minha mente insana permeia entre o desconhecido.

O que sou?
Um rosto bonito adorado?
Um menina vivendo um sonho dourado?
Sou eu e apenas isso,
Sem delongas ou aviso.
Sem sentimentos,
Coração mentindo,
Esse novo ser por trás de minha máscara surgindo.

E eu permaneço no vácuo,
Fitando o nada,
Falas constantes,
Coração frio e pulsante,
Um novo modo de viver a vida
Neste meu momento viajante.


Nara Ferreira
19 de Junho de 2009

domingo, 14 de junho de 2009

História de uma canção


Entrei no bar,
Sentei em uma mesa nos fundos,
Chamei o barman,
Pedi uma bebida quente.

Ouvi uma música conhecida,
Olhei para o palco assustada,
Era você tocando em minhas feridas,
Com suas canções, minhas poesias roubadas.

Você me encarou,
Olhou dentro dos meus olhos,
Parou de tocar imediatamente,
Covarde e ainda se faz de inocente.

Fechou os olhos,
Abaixou a cabeça como se orasse,
Será que não lembra de mim,
ou talvez arrependimento guardado?

Então começa a dedilhar umas notas,
Uma melodia nova,
Eu me desfaço em lágrimas,
Quase prevendo algo.

Pega o microfone,
E com palavras vazias,
Oferece a um antigo tesouro,
Todos aplaudem,
Eu fito o nada, os olhos marejados.

A canção foi escrita por ele mesmo,
Pelo menos essa, eu acho,
E conta a história de um casal apaixonado,
Que se separaram, cada um com seu machucado,
Ela achando que havia sido enganada,
Ele, por ama-la profundamente, temia ser usado.

Dois corações perdidos,
Um desencontro predestinado,
O casal fadado ao fracasso,
Por temer a felicidade.

Já completamente derrotada,
Saio do bar, vou caminhando pra casa,
Ele pega em minhas mãos e me abraça,
Fala em meus ouvidos algo:
Você quer me ajudar a fazer uma canção,
Para unir o casal de apaixonados?

O quanto eu o amava,
E meu coração pulsando de paixão,
Sem temer o desconhecido,
Aceita participar desse "filme",
Em que sentimentos vão além da razão.


Nara Ferreira
13 de Junho de 2009

Minha Heroina


Curada de todas as feridas,
De um coração puro e machucado,
Ela então parte decidida,
Com forças pra continuar sua jornada.

Caminhando, parando ao anoitecer,
Pedindo abrigos em vários lugares,
Sem possuir riqueza para em troca oferecer,
Não teme nada, tem no coração a saudade de casa.

Não chora, não desiste,
Sempre enfrenta o perigo,
Como uma gata feroz e selvagem,
Sobrevivendo das riquezas da terra,
Tirando só o necessário.

Respeita tudo e a todos,
É corajosa, gentil e amigável,
Não tem tudo que deseja,
Mas o pouco que tem é grata,
Vive essa vida aventureira,
Pronta para mais uma viagem.

Nara Ferreira
13 de Junho de 2009

Não vejo, mas Sinto.


Tudo que não se vê, o coração sente,
Posso fechar os olhos e não ver a vida,
Mas sentirei seu amor eternamente.

Não posso ver aonde estás agora,
Mas a saudade que sinto da aurora,
Em que caminhavamos juntos lá fora,
Me faz te sentir presente.

Não vejo você quando chora,
Mas sinto a tristeza me invadir a alma,
Me cobre de fraqueza e instintos protetores,
Sinto-me perdida neste momento em que me ignora.

Não vejo que você está a me fitar,
Quando estou distraida escrevendo poemas e cartas,
Mas sinto sua presença, que me acalma,
Me inspira, me transborda felicidade.

Não vejo você ir embora,
Ao amanhecer em que estou adormecida,
Exausta de nossa noite mal dormida,
Mas sinto em minha pele,
A quentura do seu abraço,
Me enerva o sistema,
Sinto tremer os lábios excitada.

Não vejo quando se aborrece,
Com minhas atitudes infantis,
Meus sonhos de encantos e sentimentos errados,
Mas sinto-me distante e culpada,
Sem poder redimir os erros do passado.

Posso não ver você nunca mais,
Posso não ver as poesias e cartas, antigas lembranças guardadas,
Posso não ver os nosso amigos de quando namoravamos,
Posso não ver meu reflexo já desgastado,
Posso não ver meus erros que te machucaram,
Posso não ver nada...
Mas eu sinto..

Eu sinto muito!

Nara Ferreira
13 de Junho de 2009

Tudo pode em um poema!


Tudo pode em um poema,
Pode sonhar, escrever fantasias,
Viajar na estoria, versar em rimas.

Tudo pode em um poema,
Falar sobre encontros,
Conversas, risos, despedidas,
Amor, promessas e as vezes negações de vida.

Tudo pode em um poema,
Tudo pode ser escrito,
Desde que seja com a sinceridade,
De um poeta dedicado e amigo.

Nara Ferreira
13 de Junho de 2009

Vários corações


Coração pulsante,
Coração contente,
Coração que canta,
Coração não mais doente,

Coração cansado,
Coração machucado,
Coração apaixonado,
Coração nascente,

Coração calmo,
Coração vago,
Coração perdido,
Coração congelado,

Vários corações,
Em um só homem,
Será um mutante,
Ou um anjo perdido, um novo ser?

Nara Ferreira
13 de Junho de 2009

Barquinho


Barquinho no meio do mar,
Sem direção,
Sem pressa,
Á navegar.

Vai levando, vai zarpando,
Com passageiros, navegantes,
Encomendas importantes á entregar.

Suporta tempestades,
Enchentes de madrugada,
Noites sem luar.

E o barquinho continua seu caminho,
Continua sem desistir ou afundar,
O barquinho que sou eu, continua a viajar.

Nara Ferreira
Comecei em 09 de Junho de 2009
Terminei em 13 de Junho de 2009

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Leitura em sala


No silêncio da sala,
Lendo livros e cartas,
Cabeças baixas ,
Pensamentos exatos.

Podemos ser humanos,
E ao mesmo tempo marionetes,
Vivendo como num rebanho,
Sempre ouvindo o nosso mestre.

Se alguém tenta ser diferente,
É banido da sociedade,
Por que aqui ser igual é lei,
E não há alguém com personalidade.

Ficamos em silêncio como nos é mandado,
Vagamos nossas mentes, pegamos nosso espaço,
É assim nesta sala de leitura,
Em que escrevo meus poemas calado.

Nara Ferreira
09 de Junho de 2009

terça-feira, 9 de junho de 2009

Me deixe só!


Respeite a solidão alheia,
Não ria de quem está só,
Nem tampouco tente puxar conversa,
Não atrapalhe, me deixe curtir esse momento de calmaria.

Respeite,
Quando eu estiver sozinha,
Fitando o mar,
Perdido em meu ninho,
Em noites de luar.

Respeite ,
Quando eu me isolar,
E se eu passar por você e não falar,
Respeite minhas mudez,
Ela faz parte da minha vida,
Assim como as caminhadas sozinhas,
Em que faço sempre ao amanhecer.

Respeite minha solidão,
Não venha querer roubar meu coração,
Nem com promessas de amor e paixão.

Respeite minha solidão,
Neste momento de oração em que medito,
Por favor respeite a minha solidão,
Calada e sempre Poetisa.


Nara Ferreira
09 de Junho de 2009

Dança da chuva


Chove!
Como é bom chover!
Gotas que molham meu rosto,,
E me fazem sorrir sem querer.

oH Deusa da chuva,
Que eleva minha alma,
Com seu parecer.

Se liberte nesse dia ensolarado,
E me faça feliz,
Lavando meu corpo inerte de prazer.

Jorra nas calçadas,
A sua pureza limpida,
E trema com seu esplendor de majestade.

Chega fazendo um estadalhaço,
Forte, onipotente, faz todo mundo correr,
Molhas as roupas secas na corda.
E meu coração chora,
Contente em poder te ver.


Nara Ferreira
09 de Junho de 2009