E em um domingo à noite,
Depois de todo tempo com o corpo anestesiado,
A dor escorreu em forma de lágrima,
Lastimando não aqueles que se foram,
Mas aqueles que com seus corações partidos ficaram.
E o abraço que mais precisei não veio.
Veio apenas o silêncio,
Sentando-se ao meu lado sem pedir licença.
Veio a saudade,
Revirando gavetas da memória
E espalhando retratos pelo chão da alma.
Chorei por quem partiu,
Mas também por quem permaneceu,
Carregando ausências nos ombros
E aprendendo a caminhar
Com um pedaço a menos de si.
Naquela noite entendi:
O luto não mora apenas nos cemitérios,
Ele faz morada nos que ficam,
Na poltrona vazia na entrada,
Nas palavras que já não encontram destino,
E nos abraços que nunca chegam.
Ainda assim, amanheceu.
E entre lágrimas e lembranças,
O amor permaneceu de pé,
Como uma vela acesa contra o vento,
Pequena, frágil,
Mas insistindo em iluminar a escuridão.
Nara Ferreira
22 de Junho de 2026