Não querer é simples e direto,
Viajantes das nuvens do solo,
Não penumbra, no anoitecer na sala imunda,
Rostos inertes se desfazem sobre a pele confulsa.
Se no amanhecer não aparecer sol,
Desespero carrega os gritos de prazer,
Soprando um vislumbre do culpado lençol,
Que sufoca as dores do senhor amanhecer.
Saidos de bocas imundas,
Exalando excrementos por sobre as cobertas do ser.
Nara Ferreira
03 de Setembro de 2009
Coberta pelo fino tecido da vida,
Não mais sangrando,
Um corte limpo,
Dores persistem,
Coração ainda doente.
Feridas limpas com toque de amor,
Cicatrizes que ficam,
Transformam a dor em sabor,
Restam apenas marcas na pele,
De um coração puro e sofredor.
Nara Ferreira
03 de Setembro de 2009
Nada tenho a dizer
Talvez apenas adeus seja suficiente,
Não sei em quanto tempo voltareis
Mas vou ficar um tempo ausente.
Aqueles que me amam e se importam comigo,
Eu agradecerei eternamente,
Pelo carinho,
Pela dedicação,
Pela presença,
Aqueles que me odeiam,
Nada tenho a dizer,
Não merecem nenhum segundo do meu tempo.
Aqueles a quem eu amo,
Eu só posso dizer,
Que por vocês eu luto,
Por vocês eu cresço,
Por vocês eu permaneço presente,
E para todos que um dia me conheceram,
Ou apenas ouviram falar de mim...
Ou nunca chegaram a me conhecer.
Eu só digo sinto muito
Vocês nunca conhecerão Nara Ferreira
Pois neste momento ela não existe mais.
Adeus a todos... Sejam felizes sempre...
De Uma poetisa de coração ferido Nara Ferreira...
Em 27 de Agosto de 2009
Não prescisamos de solução final,
Apenas de um soluço qualquer,
Sem vida, sem amigos, sem mulher,
Pra que viver se não tem o que quer?
Dias intermináveis se arrastam,
Ver pessoas indo, sofrendo, partindo,
Sem poder ajudar, sendo egoísta,
Sobrevivendo apenas uno,
Sempre, sempre sozinho.
Pra que a liberdade,
Da eterna vida,
Quando de um sopro divino,
A vida se desfaz,
Sem devolver o sentido.
De que vale viver para sempre.
Quando tudo que nós tememos,
Permanecerá vivo em nossas mentes.
Nara Ferreira
30 de Agosto de 2009
Quando você me deixou,
Eu não deixei cair uma lágrima,
Eu não senti dor,
Foi mais conveniente pra nós dois.
Sem despedidas,
Sorrisos ou promessas de uma nova vida,
Você simplesmente se foi e não olhou para trás,
Eu fiquei paralisada no lugar,
Sem nem agir ou pensar.
Deixei apenas a dor chegar...
Quando minha consciência voltou,
Restou apenas uma marca de tudo que passou,
É apenas uma ferida,
Que não cura,
É uma ferida de amor...
Nara Ferreira
31 de Agosto de 2009

O amor não tem explicação,
A gente apenas sente,
E tudo muda de uma hora pra outra,
O mundo se torna diferente,
As horas intermináveis,
A quentura queima as feridas,
As dores causam dano à face.
A vida não tem explicação,
Nós apenas vivemos,
Não perguntamos à razão,
Às vezes brinca com a gente,
Trás coisas boas e outras sem coração,
Brinca com nosso destino,
Não pede permissão.
A amizade não tem explicação,
Ela começa com um aperto de mão,
É surpreendentemente inesquecível,
Torna-nos dependentes,
Felizes, unidos e às vezes perdidos,
E se esvai um dia,
Quebra as promessas,
Desfaz os laços unidos.
A paixão não tem explicação,
Quentura, alarde no coração,
Pernas tremendo, mãos frias,
Batimentos descompassados,
Às vezes se torna impossível,
Começa fazendo estardalhaço.
Pessoas sofrem no caminho,
Algumas se dão bem e se casam.
A dor não tem explicação
Mas a gente sente
E como sente...
È tão profunda e ardente
Não nos deixa esquecer nenhum momento,
Lembra-nos dos ferimentos,
Agarra-nos em um mundo de sofrimento...
Nara Ferreira
Terminei em 25 de Agosto de 2009
A luz apagou,
Tudo que eu queria era amor,
Segurando uma vela ardendo em chamas de paixão,
Sigo na escuridão,
Sem perceber ou pensar,
Deixando meus pés me guiar,
Buscando um novo companheiro,
Que possa me livrar ,
Da dor da perda, do pesar,
Que me abrace, me aqueça, me faça flutuar,
Que me deseje, e não me esqueça,
Diga que me ama e não desapareça,
Que fique comigo até o medo passar.
E a vela se apaga,
Me deixa no escuro,
Sem rumo,
Não me deixa enxergar,
E eu nesse escuro,
Me ponho a pensar,
Na face esquecida,
No meu amor perdido,
Me desato a chorar.
A luz não volta,
A Solidão me afoga,
E no escuro do quarto,
Eu começo a rezar.
Nara Ferreira
Terminei em 25 de Agosto de 2009
Salve essa pátria salvejada,
Salve a semente que não foi plantada,
Salve o silêncio de noites caladas,
Salve o gorjear dos pássaros,
Salve as noites sombrias avelejadas,
Salve as crianças sonhadoras que dormem na calçada,
Salve o dia mais escuro que se põe na estrada,
Salve quem não pode ser salvado,
Salve as pessoas erradas.
Nara Ferreira
23 de Agosto de 2009
O homem jorra suas palavras,
Se não acalenta, não reanima a alma,
Canta palavras vazias que no íntimo se tornam amargas,
Refresca o organismo intacto,os pés molhados,
Canções de um esquecido enamorado
Se no encanto murmurado ao vento,
A ferida se expõe seu contentamento
Conversas não me secam as lágrimas refeitas
Nebulando o tempo dos meus versos ao relento.
Nara Ferreira
13 de Agosto de 2009
Não volte mais pra mim,
Eu não presciso de você aqui,
Vá aonde quiser ir,
E me deixe chorar nesse momento ruim.
Siga seu caminho,
Não se importe mais comigo,
Seja feliz e grite,
Viva seus amores perdidos.
Vá embora,
Me deixe chamar sem resposta,
Não espere que eu lute por fim,
Pois na vida se perde e ganha é o fim...
Meu coração lamenta sua partida,
Minha alma deslacera sem saida,
Eu busco um refúgio, um abrigo,
E você com seus amigos apenas zomba de mim.
Não busques saber onde estou,
Não venha com promessas falsas de amor,
Eu não presciso de sua ajuda nem companhia,
Por mais que eu esteja completamente perdida.
Vê se não me sufoca,
Sai pra lá, você já ganhou sua aposta,
Namoros, transas, o que importa?
Se você já deixou o terror entrar pela porta.
Eu eu me pergunto, e agora?
Não restam alternativas, eu só vejo uma resposta,
No silêncio da noite que me sufoca...
A solução é uma nova paixão que me adora!
Nara Ferreira
05 de Agosto de 2009
Você acha que está tudo certo?
Na verdade não compreende,
Enquanto meu sorriso murcha,
SUa voz me envolve loucamente.
VocÊ acha que eu vou te esquecer?
Nem mesmo com mil anos sem anoitecer,
Nem se as flores caissem,
E se nas manhãs de frio parasse de chover.
Você acha que eu estou perdida?
Mesmo sabendo que o labirinto não tem saida,
Eu me arrasto segura nas paredes,
Escalo, mesmo com as mãos feridas.
Você acha que eu não vou chorar?
Se até mesmo minha alma se põs a lamentar,
Meus olhos se tornam pesados,
Meu lenço não seca de pesar.
Você acha que eu viverei por muito tempo?
Então porque não olha pra onde estou neste momento,
E deixe sua lembrança vagar constatemente,
Flores brancas são postas sobre meu corpo em um caixão eternamente.
Nara Ferreira
30 de Julho de 2009
Aqui também tem poesia,
Nessa casa, sentada na cozinha,
Nesse momento de alegria.
Aqui também tem poesia,
Com lembranças sortidas,
Amores, amizades, encontros escondidos.
Aqui também tem poesia,
Na sala, no quarto, atrás da cortina,
Tem poesia na cama,
Nos momentos de extrema nostalgia.
Aqui também tem poesia,
Aqui também tem alegria,
Aqui também tem harmonia,
Aqui é um tesouro de inspirações perdidas.
Nara Ferreira
21 de Julho de 2009
Sinto saudade do nada,
E o nada insiste em me fazer lembrar,
Do desconhecido, de lugar nenhum, do silenciar.
Sinto saudades de um momento, um lugar
Que nunca chegou a existir,
Mas trazem lembranças de um lar.
Sinto saudades do vazio
Nas noites de frio,,
Repletas de cores, barulhos e rios,
Multidões de pesadelos que não me deixam repousar.
Sinto saudades da vida,
Que não é minha, nem é escolhida,
Mas de algum forma, me satisfaz, traz calmaria.
Nara Ferreira
21 de Julho de 2009
È a dor que não me deixa te esquecer,
Dor que não passa, surge do nada,
Permanece comigo.
De manhã ao anoitecer.
Dolorida, mordida, ferida,
Que me assombra em noites mal dormidas,
Deixa marcas, sentimentos errados,
Dor que remédio nenhum acalma.
Algum dia a dor passa,
A pele renova, não deixa cicatrizes na carne,
E o sentimento que da dor surgiu,
Só me faz pensar em você, nas manhãs de frio.
Nara Ferreira
21 de Julho de 2009
Aurora,
Me adora,
Não chora,
Aurora,
Chegou a hora,
Volta pra mim agora,
Aurora,
Permanece em silêncio infantil,
Me ignora.
Aurora,
Com suas misturas de cores brilhantes,
E seu perfume de orvalho contagiante,
Não demora.
Aurora,
Não me deixe só,
Enquanto a brisa namora.
Aurora,
Que outrohora apareceu no céu,
Me faz desejar beijos sabor de mel.
Aurora,
Não brigues comigo,
Eu me ajoelho aos seus pés e imploro.
AURORA!
VOLTA PRA PERTO DE MIM!
AURORA...
Nara Ferreira
21 de Julho de 2009
A Vela da Velha,
A Velha da Vela,
A Velha Vela a Velha
A Vela Velha de Velar.
A Vela Velha,
A Velha Vela,
A Vela e a Velha velam,
A Velha e a Vela Velham.
A Vela Velando a Velha,
A Vela Velhando,
Sem mais Vela Velhar.
Nara Ferreira
01 de Julho de 2009
Eu, apenas Um,
Ele, um outro qualquer,
Sem nada em comum,
Mas unidos na mesma fé.
Dois individuos,
Distantes amigos,
Percorrendo o infinito unidos.
Almas se entrelaçam,
Unificando a carne,
Mente, coração repartido,
Provocando sentimentos inesquecíveis.
No fim se separam,
Sem despedida ou saudades,
Deixando um barco vazio,
Na beira do rio, ao amanhecer.
Nara Ferreira
24 de Junho de 2009
Me sinto distante,
Meu corpo permanece intacto,
Mas minha mente vaga no espaço,
Minha respiração pulsa descontrolada.
Não me sinto viva, nem presente,
Enquanto a boca fala,
Os pés vagam sem destino,
O silêncio em minha mente insana permeia entre o desconhecido.
O que sou?
Um rosto bonito adorado?
Um menina vivendo um sonho dourado?
Sou eu e apenas isso,
Sem delongas ou aviso.
Sem sentimentos,
Coração mentindo,
Esse novo ser por trás de minha máscara surgindo.
E eu permaneço no vácuo,
Fitando o nada,
Falas constantes,
Coração frio e pulsante,
Um novo modo de viver a vida
Neste meu momento viajante.
Nara Ferreira
19 de Junho de 2009
Entrei no bar,
Sentei em uma mesa nos fundos,
Chamei o barman,
Pedi uma bebida quente.
Ouvi uma música conhecida,
Olhei para o palco assustada,
Era você tocando em minhas feridas,
Com suas canções, minhas poesias roubadas.
Você me encarou,
Olhou dentro dos meus olhos,
Parou de tocar imediatamente,
Covarde e ainda se faz de inocente.
Fechou os olhos,
Abaixou a cabeça como se orasse,
Será que não lembra de mim,
ou talvez arrependimento guardado?
Então começa a dedilhar umas notas,
Uma melodia nova,
Eu me desfaço em lágrimas,
Quase prevendo algo.
Pega o microfone,
E com palavras vazias,
Oferece a um antigo tesouro,
Todos aplaudem,
Eu fito o nada, os olhos marejados.
A canção foi escrita por ele mesmo,
Pelo menos essa, eu acho,
E conta a história de um casal apaixonado,
Que se separaram, cada um com seu machucado,
Ela achando que havia sido enganada,
Ele, por ama-la profundamente, temia ser usado.
Dois corações perdidos,
Um desencontro predestinado,
O casal fadado ao fracasso,
Por temer a felicidade.
Já completamente derrotada,
Saio do bar, vou caminhando pra casa,
Ele pega em minhas mãos e me abraça,
Fala em meus ouvidos algo:
Você quer me ajudar a fazer uma canção,
Para unir o casal de apaixonados?
O quanto eu o amava,
E meu coração pulsando de paixão,
Sem temer o desconhecido,
Aceita participar desse "filme",
Em que sentimentos vão além da razão.
Nara Ferreira
13 de Junho de 2009
Curada de todas as feridas,
De um coração puro e machucado,
Ela então parte decidida,
Com forças pra continuar sua jornada.
Caminhando, parando ao anoitecer,
Pedindo abrigos em vários lugares,
Sem possuir riqueza para em troca oferecer,
Não teme nada, tem no coração a saudade de casa.
Não chora, não desiste,
Sempre enfrenta o perigo,
Como uma gata feroz e selvagem,
Sobrevivendo das riquezas da terra,
Tirando só o necessário.
Respeita tudo e a todos,
É corajosa, gentil e amigável,
Não tem tudo que deseja,
Mas o pouco que tem é grata,
Vive essa vida aventureira,
Pronta para mais uma viagem.
Nara Ferreira
13 de Junho de 2009