Trago
no corpo o murmúrio dos que vieram antes.
Nas
veias, corre um rio antigo
feito
de águas que sabem o nome da minha avó.
Ela
sussurra em mim quando o silêncio pesa,
me
ensina a atravessar o tempo
com
o passo firme de quem já foi vento e raiz.
Há
fronteiras que não se veem,
mas
doem
entre
o ontem que me chama
e
o agora que me dispersa.
Sou
feita de travessias:
de
barcos que não voltam,
de
vozes que ainda ecoam nas marés da lembrança.
Cada
território que piso
é
um altar de saudade.
A
terra reconhece meu nome
mesmo
quando eu me esqueço de dizê-lo.
Carrego
o rosto dos meus mortos na pele,
não
como luto,
mas
como mapa.
E
sigo,
cruzando
rios invisíveis,
com
o coração incendiado
pela
memória dos que me ensinaram
a
não temer as águas.
Nara
Ferreira
10
de Novembro de 2025
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