Total de visualizações de página

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Marés do Esquecimento


 

Essas águas que outrora eram barrentas

E hoje são cristalinas como as memórias que se foram

E hoje se tornaram rimas então

Embalando mergulhos contínuos ao som das inúmeras embarcações

Nos ninando aos braços de mamãe

Oxum

 

Mas há dias em que a maré esquece o caminho da volta,

E o nome dos portos se dissolve no vento.

Os rostos amados viram ilhas distantes,

E o ontem escorre pelos dedos como água que não se segura.

 

Ainda assim, o afeto permanece ancorado,

Mesmo quando a lembrança naufraga.

Há um amor que não precisa de memória

Para reconhecer o calor do colo

O brilho do toque,

A paz que mora no olhar.

 

Oxum segue lavando as dores,

Guardando o que a mente não alcança mais.

Porque, mesmo quando tudo se esquece,

O coração, esse rio antigo

Nunca desaprende de amar.

 

Nara Ferreira

30 de Dezembro de 2025

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Leia, comente e divulgue!