Essas águas que outrora eram barrentas
E hoje são cristalinas como as memórias
que se foram
E hoje se tornaram rimas então
Embalando mergulhos contínuos ao som das
inúmeras embarcações
Nos ninando aos braços de mamãe
Oxum
Mas há dias em que a maré esquece o
caminho da volta,
E o nome dos portos se dissolve no
vento.
Os rostos amados viram ilhas distantes,
E o ontem escorre pelos dedos como água
que não se segura.
Ainda assim, o afeto permanece ancorado,
Mesmo quando a lembrança naufraga.
Há um amor que não precisa de memória
Para reconhecer o calor do colo
O brilho do toque,
A paz que mora no olhar.
Oxum segue lavando as dores,
Guardando o que a mente não alcança
mais.
Porque, mesmo quando tudo se esquece,
O coração, esse rio antigo
Nunca desaprende de amar.
Nara Ferreira
30 de Dezembro de 2025
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